Sou muito, não, de me apresentar, ó!...

sábado, 23 de setembro de 2017

outros jeitos de usar a boca, de rupi kaur

O Clube Leitura Poesia* teve sua primeira reunião hoje, 23/09/17, às 17h,
 em frente ao Porto Iracema das Artes **

Dados da leitura:
Livro selecionado: "outros jeitos de usar a boca", de Rupi Kaur.
O livro virou um fenômeno de vendas. A escritora, nascida na Índia, mas tendo vivido no Canadá desde seus quatro anos de idade, produziu trabalhos visuais no instagram  (onde escandalizou quando postou fotos sobre a menstruação) e publicou seu - até agora - único livro de forma independente pela amazon. Milk and honey (título original) é uma coletânea que aborda o empoderamento feminino.
"A Rupi Kaur tem uma poética capaz de arranhar-nos em uma ferida recém-cicatrizada..." (Luís Silva)

Notas de leitura
:
ESTILISTICAMENTE falando, não seria poesia - mas antes microcontos seguindo uma linha narrativa - embora, muitas vezes, "escapole" dessa linha narrativa, quebra-a. Colocaria esse livro na estante de autoajuda sem receios de errar. Mais parece uma paráfrase, tipo "O Segundo sexo para "dummies". Ela acerta aqui, aqui e ali - mas não é uma constante. Sua linguagem é de uma simplicidade estarrecedora, desconcertante, lembrando - comparou Luis Silva - à poética despretensiosa de Charles Bukowski, no tocante ao estilo, bem entendido.
MAS... (olhaí a conjunção adversativa salvando a lavoura, gente!) há mais pontos positivos em sua obra:
a) ela TOCA, sensibiliza o leitor - e isso é POESIA!;
b) ela parte de um microcosmo de si mesma (?) que "conversa" com o leitor, o macrocosmo;
c) a delicadeza das ilustrações, minimalistas e pertinentes, completam o livro;
d) é didático (quase um manual);
e) preço e autora acessíveis - um valor que cabe em bolso raso e uma autora que não se furta à publicidade nem, tampouco, às várias formas de divulgar seus textos;
f) é sensível, atinge e ilumina o público;
g) linguagem facilitada que atinge um número maior de leitores;
g) é NECESSÁRIO! - todxs deveriam ler essa obra.
Leitura recomendada a todos e todAs - há mais pontos positivos que negativos.
[só não consigo entender por que mudaram o título original!!!]


Leituras outras:
Sobre essa cultura de estupro, foram mencionados os seguintes textos:
# Rose Madder - Stephen King - Capítulo 1 - Descrição dos sentimentos da protagonista que é violada pelo marido agressor;
# Dedo de moça - antologia das escritoras suicidas - "Uma fábula!" de Alice Barreira - uma paráfrase modernizada do conto de fadas "Chapeuzinho Vermelho", considerando a personagem do Lobo Mau como um possível agressor sexual;
# Antologia de poesia afro-brasileira - "Outra nega Fulô" de Oliveira Silveira, que dialoga com o texto de Jorge de Lima, subvertendo a ordem deste último e empoderando a mulher;
# "Verdade seja dita", poesia condenando a cultura do estupro, da poetisa e slamer Mel Duarte.


PRÓXIMO LIVRO: A ROSA DO POVO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
em 14 de outubro de 2017 - horário e local a serem combinados.





* uma nova investida do Poetas de Cidade: um grupo que se reúne para ler, discutir e comparar textos poéticos (ou não) de três em três semanas, aos sábados. Link para acesso ao grupo no facebook: https://www.facebook.com/groups/poesiaclubesarau/ 

** local previamente reservado por um dos administradores do Clube, mas que, infelizmente, na data aprazada, estava fechado. 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Jardim Secreto - Tetê Macambira

Jardim Secreto



Querer não é poder
quando quero a lua,
e também o sol ao nascer
me banhando nua.

Esperar não é cansar
quando espero o dia
de ser feliz ao casar
o verbo dar com alegria.

As rosas falam, sim,
quando vou ao jardim
contar os meus medos.
Nada é impossível
quando estou invisível
dentro dos teus segredos.

[Tetê Macambira]
Calmamente




Folhas,
    vento,
        falas,
            ruídos escassos
            que ecoam no
            silêncio da tarde.

São fragmentos
de minha vida calma;
são aberrações
no mundo de hoje.

Quem me dera
estar dormindo
sob pinheiros
olhando Nahuel Huapi
e não sentindo
a tranquilidade
de estar em casa.

    Quem me dera!

Só assim
eu poderia
me sentir à vontade
estando onde  estou.

[Tetê Macambira]

Dançando - Tetê Macambira

Dançando




A esperar
é que canso
meu cansaço.
Nesse espaço,
dê-me um abraço
e, passo a passo,
num breve compasso,
iremos a bailar
um bocado de Carnaval
  • sem nos fazer mal.

[Tetê Macambira]

Vivendo - Tetê Macambira

Vivendo




De repente,
        eis-me presa
        na liberdade
        de ser eu mesma.

Nada de conflitos,
o que existe são risos.

Quero só correr,
        na volta,
para o anoitecer
e esperar um bem-querer:
                  você!

[Tetê Macambira]

Libertando - Tetê Macambira

Libertando



Voar é bom
deixa-me fluida
pairando ao som
inescrutável da vida

Abrir minhas comportas
avaliar a minha rota
poder abrir todas portas
existentes na viravolta

Quem sabe até tentar
aquele novo lance
de me arremessar
num veloz relance.

Abrir meu coração
soltar as feras,
libertar toda paixão
que há nas estratosferas,
vivendo a libertação
de outras novas eras.

[Tetê Macambira]

Querendo - Tetê Macambira

Querendo



Expor-me como que numa praça?
Mas isso não tem a mínima graça!

Quero, antes, poder gritar
em cada palavra todo meu ar.

Quero mesmo é me espalhar
num mundo amigo e me libertar

Quero, também, com amigos contar
todas as boas novas que escutar

Quero, quem sabe, cantar
a beleza de se habitar.

Quero conhecer cada minuto
de minha, nossas existências
e traduzi-las em tudo por tudo
nas páginas brancas da experiência.

[Tetê Macambira]