Sou muito, não, de me apresentar, ó!...

sábado, 26 de setembro de 2015

primeiro poema que escrevi chorando - Jessy Holanda

 Jessy Holanda - https://pocosmico.wordpress.com/2015/09/02/yasmin-2/


te aperto contra meu peito meu mundo inteiro gira. 
quando estou com você gosto tanto que dói,
mas quando estou comigo não gosto de ninguém, nem de mim.
talvez eu tenha te amado em  algum segundo, minuto, hora, dia.
te olhando assim só penso em sumir por uns dias, 

entender tudo que eu sinto e contar como é aqui dentro.
mas vai ser tarde demais e você não pode me esperar.
meus olhos pousam no teu rosto
e todas as borboletas do mundo decidem morar no meu estômago.
não sei lidar com nada disso e só penso em fugir 

e sumir nos lençóis brancos da minha cama
(que te chamam sempre que você vai embora).
talvez eu te ame agora e é tanto amor que não sei lidar.
talvez eu queria você feliz

porque sou doente demais para cuidar de alguém, de mim.
talvez, só talvez, eu te procure em alguma madrugada 

com os olhos cheios de lágrimas pedindo só um pouco de atenção.
talvez, só talvez, eu nunca esqueça você e tudo isso que aconteceu.
talvez, só talvez, virar as costas tão friamente 

seja a melhor forma de dizer “por favor, não me 
deixe atravessar essa rua sem você”.
talvez, só talvez, eu chore por você todas as noites 

e negue isso até a morte.
talvez, só talvez, eu vou dizer que amo outra para todo mundo 

daqui um mês não vou lembrar o nome dela.
talvez, só talvez, vou te pedir pra voltar e vai ser tarde demais.
talvez, só talvez, você não leia tudo isso.
talvez, só talvez, eu te amei  como nunca amei ninguém.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

[Espero de ti nada] - Hile Di Sousa


absinto-me de mim - Tetê Macambira

absinto-me de mim


Era uma segunda-feira como outra qualquer - ou seja, em meu dicionário, era dia de boemia. Aliás, noite. Noite garantida de boemia.
Mas pretendia me furtar ao delicioso hábito de rua; recolher-me em rede e lençol com o controle da minha vida e da TV em mãos. Mal saída do trabalho, passada regada a café na livraria - pegar a encomenda separada e adquirida via internet. Adoro vida moderna.
Bukowski. O último livro de poesias do Velho Safado traduzido por Cláudio Willer, o tradutor promissoramente menos traidor da atualidade.
Para quê melhor?: aconchego de casa, uísque puro, qualquer coisa na TV que fizesse barulho indistinto e "As pessoas parecem flores finalmente" (assim mesmo, sem vírgula separando o adjunto adverbial). Grande plano. Grande jogada. Grande... furo.
Foi chegar em casa, fuçar no facebook... e a garrafa de absinto do bar de toda segunda-feira e meu nome marcado. Pata caparau! isso já era conspiração! - e das mais etílicas! Mas, em pensando melhor... que melhor que ler Bukowski em ambiente de bar? E ora diachos! era segunda-feira! era já a segunda segunda-feira do mês! - que outro contumaz frequentador haveria de aparecer? seria mesmo capaz de os garçons sentarem-se à mesa comigo!
Calças de trabalho trocadas pelos shorts saí-de-casa-do-jeito-que-estava e pela primeira camiseta de rock que peguei na gaveta. Sandalinhas baixas, o chip transferido para o celular pobrinho, pode-me-levar-que-eu-não-tô-nem-aí, o dinheiro contadinho no bolso... Parti.
Em chegando, a amiga atacando uma marmita alheia em plena esquina. Comida bem temperada e já feita de há muitas horas, cheiro rançando já, do tempo dela feita e guardada por demais. Insistiu em me dar um bocado. Tentei desvencilhar-me, sabia a comida estava ainda boa - e bem temperada; mas ... o absinto é que me fazia eu me ausentar de mim, e das esquinas, e das amigas com marmitas em esquinas - acorri ao chamado encantatório da fada verde.
Na segunda dose, já estava à mesa rodeada de pessoas conhecidas. Uns de passagem, outros de ficando. E bar fechando já... (eiita! convocam, depois expulsam, é? - égua do povo, meu!)
Terceira e última dose. Precisava de mais nada. Que a fée verte chapa legal, ó!
Voltei a casa. Brinquei ainda comigo mesma e bem muito. Banhar-se é de lei. Fantasias... ah, Gilda! tu me inspiras! não tenho luvas, mas meias! Dancei sobre estrelas, ao som do batuque de tambores e berimbaus. A índia chapada pelo absinto imitando Gilda ao som de Capoeira do Besouro; quanta miscigenação.
Dormir é deixar a diversão morrer. Sair dos braços da fada para os de Oneiros.
Amanhecer bem.
Sempre que bebo absinto, é assim mesmo: ausento-me de mim. Férias de mim mesma.
E.. não; isso não é mau, não mesmo.

(Tetê Macambira)


"WHY our Current Society is so STUPID and Conservative" - Rafaelle Frota

"WHY our Current Society is so STUPID and Conservative"
detail cigarette and me.jpg

............
Cigarros,
Tragos,
Estrago(s)
Vazios,
Desértico,
Lagartos,
Nostálgicos.
"I said,  mom, if I hadn't have smoked,
I wouldn't know the good TASTE of a cigarette. "
And
Never... I don't regret being a smoker.


Rafaelle Frota

15 de Julho.

Terras tristes... Tempos tristes.... - Aglailson Di Almeida & Hit Ty

Terra Triste...Tempos tristes....
(Aglailson Di Almeida e Hit Ty)

Degredado no meu leito observo toda imperfeição das horas
Claro como a nuvem cinza que descarrega impudências em mentes salutares
Mentes que desfiguram corais deformados no meu quintal enlodado
Cubro minha pele com ideias que ainda não foram expressas
Cortejo tua indecência como quem ama uma quimera cáustica
As fábulas desfiguram-se em vômitos e resíduos
(...)
Nossa mesa está cheia de tristezas e copos quase cheios de derrotas
Faceta ameaçada com lágrimas que adentram os exilados
Debalde, bato à porta e colho uma apatia amarga
Inexisto, cubro minha ebriedade com ilusórias dissoluções
(...)
Envolvemos vastos-vazios feito uma cruz embebida de barbitúricos
Debaixo dos lençóis assombrados, vemos os detritos do ocaso
E o palco está sujo… sujo de nuanças insatisfatórias
Gotas de anseios fatais, pétalas ensanguentadas de ruína
(...)
E sempre haverá uma descabida fórmula do nada... do abandono!
Sou aberração, eloquente natureza consequente
E em cada trago usurpado há uma infausta vontade de vencer
Surda sinfonia do acaso varrido da fronteira dos olhos acerados
Então os tempos inda continuam tristes ...visceralmente tristes

E ainda nos restam infindas possibilidades e formas de abolir com tudo.

Ela sofre em silêncio - Hit Ty

Ela sofre em silêncio
(Hit Ty)


Ela sofre, sofre em silêncio
Sobeja vida em seus adornos
Não há brilho na dúvida da alvorada
Na curta viagem ao horizonte...
Gravitando na borda dos fios vocais
Envolvendo-se nas asas do azar
Inclina-se nas ondas em harmonia disfuncional
Amargando os sinuosos amores perdidos em desvelo
A garota sussurra, afoga-se em lágrimas novamente.
Sem cruz sua agonia agarra-se em desesperança
Expectativas ejaculadas em aflição
Cordas enforcadas em suas veias
Lábios maltratados por sequência de tentamento falho
Com medo de acordar e seus pesadelos tornarem-se reais Cabisbaixa, anda nas ruas tristemente
Sem paraíso, dia após dia, respira pausadamente.
Nasce mais uma vez a tristeza em seu admirar danificado
Nunca leva crédito por sua consistência
Não vê certeza em suas áreas reais
Não há gravidade em suas fantasias infantis.
Não há visões em noites culturais
Apenas o choque de esbarrar em falsas muralhas
E a história não lhe garante escolha
Nem ao frio nem ao calor eterno
A dor se esvai, por mais cinco minutos.
Mas ela ainda continua triste
Espera que o frio passe
Espera igualmente o anoitecer
Foca sua reserva de energia em um único prazer:
Findar-se…

As paralelas cruzam-se no infinito - Tetê Macambira

As paralelas cruzam-se no infinito
A T.

as paralelas  cruzam-se no infinito - dizem;
quem sabe nossos caminhos se cruzem.
meteoros poéticos de leve se rebatem,
sonhos defenestrados com desdém,
cismas desenfreadas não se retêm.
paraísos perdidos não cantados por Milton.


perdida nesses solfejos roucos de meios-tons.
perdida nesses versos loucos de meios-sons.
perdida nessas lides rotineiras sem dons.
Camus não me apazigua, não me pacifica.
Eisner me bouleversa, me transversa diversa.
Jean-Michel Adam me aborrece adormece.


E a solidez do pão, um súbito sensaborismo
em contraste preto e branco de pouco antes;
um pão líquido tão de Bauman e tão cult!
(ironias e sarcasmos à parte, só asteísmos)
um pão de se preencher vazios além estruturas
um pão de se preencher sentidos apóstatas.


Retomar transcursos  decursos percursos:
o avião por cima “me dá lições de partir”.
Levificar. Nem nuvem nem pena - aeróstato.
Por trás o olhar traz e trai contristação sem-fim.
Hesitações em gestar o inopinado - ignoto.
Recolher versos. Sedeirar caracteres.
Trancafiar sementes.
Prosseguir-se no se ir.


(Tetê Macambira, 19/8/15 - 15h41)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Absinto - Hit Ty

Absinto

(Hit Ty)

Não compreendo o correr das inúmeras formas
Para o resto da noite deixo o vazio completar-se em                   absinto
Calo-me diante de tal pensamento
Agora vasculho os sintomas que teimam em me assolar
Que porra é essa?, cale-se! - deixe-me pensar
Sempre me vejo em anos de distância, encarando-te
Respirando teus encantos em segredo
Mal posso te ver, mal posso te tocar, apenas me foco na perfeição
Sirvo-me com mais uma dose de palavras absurdas
O autêntico amanhã não brilha como o desejo de curar-me de tal moléstia
Simplesmente poder tocar a fruta sem ao menos ter sentido o aroma
No final é tudo o que posso ver, imaginar
Me desculpa por manter esta blasfêmia, por implorar afeto...
Apenas não sei parar, o nirvana me incita
Tua imagem teima em ofuscar os pesadelos meus

Permita-me seguir essa direção...